Setembro Amarelo

Na verdade, vamos falar sobre prevenção ao suicídio?

Hoje, 10 de setembro, é O Dia Mundial de Prevenção do Suicídio (World Suicide Prevention Day – WSPD). Um dia de conscientização dedicado a ações para evitar suicídios, com diversas atividades em todo o mundo desde 2003.

A campanha Setembro Amarelo foi criada no Brasil em 2015 em virtude dessa data.

Por que falar sobre suicídio?

Veja um dado do relatório da Organização Mundial de Saúde de 2014: 

  • 420 mil pessoas morreram vítimas de guerra
  • 850 mil pessoas foram vítimas de autoextermínio

Tendo esse dado em vista, o suicídio fica nítido como um problema mundial de saúde pública, que constitui uma das dez maiores causas de morte em todos os países, e a segunda maior causa de morte entre os jovens de 15 a 29 anos no mundo (OMS, 2018).

Tem mais, absorve essa:

  • Um suicídio ocorre a cada 40 segundos no mundo;
  • Para cada suicídio que acontece, houve entre 10 e 20 tentativas;
  • Cada morte por suicídio afeta emocionalmente outras 60 pessoas próximas à vítima.

Entendeu o por quê?

O que é o suicídio?

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o suicídio consiste em um ato intencional para acabar com a própria vida.

Sabemos. 

Mas é só isso?

Esse princípio sobre o suicídio parte do ponto de vista que a morte significa o fim de tudo. Que ela é uma fuga, inclusive tomada muitas vezes como um ato de covardia. 

No entanto, a necessidade de se buscar a morte é como um refúgio para o sofrimento que se tornou insuportável. Ou seja, não é uma ato de coragem e nem de covardia, é um ato de desespero.

Quando não se encontra mais sentido na vida, o seu fim pode ser uma saída. 

Isso nos leva a concluir que o suicídio não é um ato isolado. Está relacionado a uma condição de sofrimento e adoecimento da pessoa que, não conseguindo resolver o sofrimento de nenhuma forma que conhece, vê na morte sua única solução.

O suicídio é um fato social

Por que pessoas se suicidam?

Deve-se pensar a magnitude desta questão considerando que o sofrimento que a gera não é apenas individual, mas, principalmente, social. 

Fatores como desordens mentais, históricos familiares de suicídio e o bullying, atualmente evidenciado nas escolas, são consideradas as principais causas para o aumento do suicídio. 

Assim como momentos de crise (financeira, relacional e de saúde) e experiências associadas a abusos, violências, desastres, experiências de grupos vulneráveis que sofrem discriminação e enfrentamento de conflitos (LGBTQI+, negros, grupos de diferentes religiões, etc) ajudam a aumentar essa triste estatística.

Também as grandes mudanças emocionais, sociais, familiares, físicas, sexuais, econômicas e relacionais podem ser elencadas como preditores nos casos de suicídio entre jovens.

E é devido a tudo isso que devemos buscar entender que mensagem social os jovens estão nos passando quando cometem tais atos. Que fraturas existem no seu contexto para que não se consiga empregar suportes suficientemente fortes para essas pessoas e não deixá-las desamparadas?

O que podemos fazer?

Já existem diretrizes nacionais para prevenção do suicídio (Portaria n.º 1.876) e a OMS lançou o manual para profissionais da saúde. Esses foram passos fundamentais na prevenção visto que retirou o foco das ações de saúde mental apenas da atenção especializada e as colocou em todos os níveis de atendimento.

Todas estas ações governamentais são de extrema importância para os casos de suicídio, uma vez que é urgente trazer a ação para a área pública, retirando, assim, sua invisibilidade. E, com isso, há o apoio para o desenvolvimento de novas perspectivas sob o aspecto do acolhimento, da compreensão, do cuidado e da valorização da vida.

Para além dos aspectos legais que impõem aos profissionais e a toda a sociedade uma atenção especial ao fenômeno do suicídio, é fundamental estabelecer vínculos, importar-se efetivamente com o outro e escutar de forma aberta e sem julgamentos.

Somente assim é possível garantir um futuro mais cheio de vida. Porque quando uma pessoa põe fim à própria vida ela deseja na verdade deixar de sofrer, e não morrer. 

E no que podemos repensar?

Numa sociedade onde tudo muda o tempo todo, torna-se importante refletir sobre como fica a identidade em meio a tudo isso, uma vez que é da socialização e da tomada de consciência de si mesmo que o indivíduo busca construir sua singularidade, sua capacidade de pensar, de se afirmar e de assumir os seus próprios desejos.

Como disse Zygmunt Bauman, vivemos um tempo de liquidez, ou seja, que jamais se imobiliza, muito menos conserva sua forma por muito tempo. Isso provoca um fenômeno que combina a falta de garantias de posição, familia, títulos e sobrevivência, às incertezas em relação à própria continuidade e estabilidade futura e as inseguranças do corpo, do Eu, das suas posses, da comunidade.

Portanto, firmamos a necessidade de olhar atentamente para essa sociedade paradoxa que estamos vivendo: consumista, exigente e pouco afetiva, mas que continua pedindo vida.

Vamos enfrentar juntos

A Rockfella apoia essa causa em todas as suas dimensões, e deixamos aqui nosso pedido:

Para você que está bem, cheio de vida:

  • abrace as diferenças, abra a mente para o que não conhece, seja gentil com quem cruzar, ouça com atenção quem falar com você, olhe nos olhos.

Para você que precisa de apoio:

  • fale, busque ajuda, se abra. A vida pode ser muito melhor e tem muitas pessoas querendo te ouvir, te ajudar, te abraçar. Você pode encontrar apoio nos lugares mais impensáveis, com as pessoas mais inimagináveis. Acredite.

Ligue 188

O Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias.

Você pode acessar o site deles clicando aqui ou ligar no número 188.

Nós da Rockfella também estamos abertos, todos os dias, para te ouvir e te apoiar. Sempre que precisar, entre em contato conosco, e vamos superar juntos.

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Fundadora da Free Lab Moda, projeto que trabalha com o desenvolvimento de uma inteligência de moda que conecta roupas a corpos por meio de dados. Acredito em uma moda mais livre e democrática, e tenho o sonho é reorientar os profissionais desta indústria ao ser humano e ao meio ambiente, dignificando-os.